
A qualidade do ar em Rio Branco voltou a acender um sinal de alerta na noite desta quinta-feira (9). Dados da plataforma internacional IQAir, uma das principais referências mundiais em monitoramento da poluição atmosférica, mostram que a concentração de partículas finas na região do campus da Universidade Federal do Acre (Ufac), no bairro Tucumã, atingiu níveis considerados moderados, com poluição 2,7 vezes superior ao limite anual recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Às 20h, a estação de monitoramento instalada nas proximidades da universidade registrava 59 pontos no índice US AQI+, classificação que coloca a qualidade do ar na faixa amarela. Embora ainda não seja considerada insalubre para a população em geral, essa condição já representa risco para grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares.
O principal poluente identificado foi o PM2.5, um material particulado extremamente fino, com diâmetro de até 2,5 micrômetros. Por serem microscópicas, essas partículas conseguem ultrapassar as barreiras naturais do organismo, penetrar profundamente nos pulmões e alcançar a corrente sanguínea, aumentando o risco de problemas respiratórios e cardiovasculares. A concentração registrada foi de 13,3 microgramas por metro cúbico (µg/m³), valor equivalente a 2,7 vezes a diretriz anual estabelecida pela OMS.
Segundo a IQAir, pessoas mais sensíveis podem apresentar irritação nos olhos, nariz e garganta, crises de asma, tosse e falta de ar mesmo em níveis moderados de poluição. Por isso, a plataforma recomenda reduzir atividades físicas ao ar livre, manter portas e janelas fechadas para evitar a entrada de fumaça, utilizar máscaras em ambientes externos e, quando possível, recorrer a purificadores de ar em ambientes fechados.

O cenário surge justamente no início do verão amazônico, período em que as chuvas diminuem e as queimadas passam a se intensificar em diversas regiões do Acre e da Amazônia. A fumaça produzida pelos incêndios florestais e pelas queimadas em áreas rurais costuma elevar rapidamente a concentração de PM2.5 na atmosfera, deteriorando a qualidade do ar nas cidades.
Historicamente, julho marca o início da escalada da poluição atmosférica no estado, situação que normalmente se agrava nos meses de agosto e setembro, quando a estiagem atinge seu pico. O registro desta quinta-feira indica que os efeitos da temporada de queimadas já começam a ser percebidos na capital acreana, reforçando o alerta para os impactos da fumaça sobre a saúde da população.
Por Ac24Horas