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Acre tem maior taxa proporcional de adolescentes internados por atos infracionais no Brasil

    O Acre apresenta a maior taxa proporcional de adolescentes cumprindo medidas socioeducativas em meio fechado no Brasil. Segundo dados reunidos pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o estado registra 134,3 adolescentes internados para cada 100 mil habitantes, à frente do Espírito Santo, com 119,4, e do Distrito Federal, com 102,1.

    O levantamento faz parte de um cenário nacional de redução no número de adolescentes submetidos a medidas socioeducativas de privação ou restrição de liberdade. Em 2015, o Brasil tinha 26,8 mil menores de idade nessas condições. Em 2025, o total caiu para 12,2 mil, uma redução de 54,5% em dez anos.

    Os dados consideram adolescentes em regime de internação provisória, internação-sanção, semiliberdade e medida protetiva. Apesar da queda expressiva na última década, o número de jovens internados apresentou pequenas altas recentes: 2,5% entre 2023 e 2024 e 1,2% entre 2024 e 2025.

    Em números absolutos, São Paulo concentra a maior população de adolescentes internados, com 5,2 mil registros em 2025, seguido pelo Rio de Janeiro, com 966. O Acre, embora não apareça entre os estados com os maiores contingentes absolutos citados no levantamento, lidera quando os números são comparados ao tamanho da população.

    O perfil dos adolescentes submetidos às medidas também chama a atenção. Conforme o levantamento nacional do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase), citado pelo Fórum, 93,4% são meninos e 73,7% se autodeclaram negros.

    Entre os atos infracionais mais frequentes entre adolescentes que cumprem medidas em meio fechado estão roubo, responsável por 29,1% dos casos, e tráfico de drogas, com 27,9%, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026.

    Os números sobre o Acre surgem em meio à retomada do debate nacional sobre a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, especialmente para crimes hediondos. Na última semana, o presidente Lula (PT) declarou ser favorável à redução nesses casos, enquanto propostas sobre o tema voltaram à discussão no Congresso Nacional.

    Por Ac24Horas