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Apenas metade dos moradores de Rio Branco diz se sentir protegida pela Polícia Militar

    A Polícia Militar do Acre enfrenta desafios para consolidar a confiança da população de Rio Branco. Pesquisa de vitimização realizada pelo Instituto Pesquisas de Opinião (IPO) em parceria com a Universidade Federal do Acre (Ufac) mostra que apenas 52% dos moradores da capital afirmam se sentir protegidos pela corporação. Outros 22,1% dizem sentir-se protegidos apenas em parte, enquanto 25,9% afirmam não se sentir protegidos.

    Os dados revelam uma percepção dividida sobre a atuação da PM. Embora a maioria dos entrevistados ainda declare sentir algum nível de proteção, praticamente metade da população demonstra insegurança em relação à capacidade da corporação de garantir segurança. A sensação de desproteção é mais elevada nas regiões da Baixada, Belo Jardim, Vila Acre e na zona rural, áreas que também apresentam maiores índices de vitimização.

    A pesquisa aponta ainda que a legitimidade institucional da Polícia Militar alcança 56,8%, índice calculado a partir de quatro pilares: confiança, voz, respeito e neutralidade. O resultado fica abaixo do registrado pela Polícia Civil, que atingiu 67%. Segundo o estudo, o principal problema da PM está na percepção de neutralidade, que recebeu apenas 43,6% de aprovação, indicando que parte da população não considera as abordagens policiais imparciais.

    Entre os indicadores avaliados, a confiança foi o mais bem pontuado. Cerca de 63,9% dos moradores concordam que a Polícia Militar age de boa-fé e em benefício da coletividade. Já o indicador “voz”, relacionado à percepção de que os cidadãos são ouvidos pelos policiais, alcançou 67,9%. Em contrapartida, os índices de respeito (51,7%) e neutralidade (43,6%) ficaram em níveis mais baixos.

    O levantamento também mostra que poucos moradores tiveram contato direto recente com a corporação. Entre aqueles que procuraram a Polícia Militar para pedir ajuda nos últimos 12 meses, 49,5% afirmaram ter ficado satisfeitos com o atendimento recebido. Por outro lado, 33,7% relataram insatisfação e 16,8% declararam não estar nem satisfeitos nem insatisfeitos.

    As avaliações positivas são mais frequentes na zona rural e nas regiões Tancredo Neves e São Francisco, onde a satisfação ultrapassa 55%. Já as avaliações mais críticas aparecem em áreas como Belo Jardim, Vila Acre e Baixada, regiões que concentram maiores índices de violência e vulnerabilidade social.

    Outro dado que chama atenção é a percepção sobre a honestidade dos policiais militares. Apenas 36% dos entrevistados acreditam que os casos de desonestidade são raros e que a corporação possui mecanismos de controle eficazes. A maioria dos moradores demonstra uma visão crítica sobre a integridade da instituição, especialmente nas áreas mais vulneráveis da cidade.

    Por Ac24Horas