
A crise que há meses envolve o transporte coletivo de Rio Branco, com disputas judiciais, reclamações de usuários e incertezas sobre a continuidade da empresa Ricco Transportes no sistema da capital, também tem provocado impactos dentro da Universidade Federal do Acre (Ufac). Uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) publicada na última terça-feira (2) identificou que estudantes enfrentam dificuldades diárias para chegar aos campi e apontou problemas que vão desde atrasos frequentes dos ônibus até insegurança nos pontos de parada utilizados pela comunidade acadêmica.
O relatório foi divulgado nesta semana e faz parte de uma avaliação nacional sobre a Política Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes). A análise ouviu estudantes dos campi de Rio Branco e Cruzeiro do Sul e constatou que, apesar da existência de auxílios financeiros para transporte, os problemas enfrentados pelos usuários do sistema coletivo comprometem a efetividade da política de permanência estudantil.
Segundo os estudantes entrevistados pela CGU, atrasos constantes, falhas mecânicas e más condições de conservação dos veículos são ocorrências frequentes. Os relatos indicam que os problemas acabam prejudicando a frequência às aulas e dificultando a rotina acadêmica, especialmente para alunos que dependem exclusivamente do transporte público para acessar a universidade.
As constatações surgem em meio ao agravamento da crise enfrentada pela Ricco Transportes, empresa responsável pela operação do sistema na capital. Nos últimos meses, a concessionária tornou-se alvo de ações judiciais movidas pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes do Acre (Sinttpac), que cobra o cumprimento de obrigações trabalhistas. Em maio, a Justiça do Trabalho rejeitou uma tentativa da empresa de derrubar a ação civil pública movida pelo sindicato e manteve uma liminar que obriga a empresa a cumprir uma série de determinações relacionadas aos direitos dos trabalhadores.
Paralelamente, decisões judiciais também apontaram indícios de possível esvaziamento patrimonial envolvendo a empresa, situação que levou a Justiça a adotar medidas cautelares para preservar bens e garantir o pagamento de eventuais débitos trabalhistas.
Insegurança no período noturno
Além das dificuldades relacionadas à qualidade do serviço, a CGU identificou outro problema que afeta diretamente os estudantes da Ufac: a segurança.
No Campus Sede, em Rio Branco, alunos relataram sensação de insegurança durante a noite devido à iluminação considerada insuficiente nos pontos de ônibus localizados dentro da universidade. A auditoria concluiu que a melhoria da infraestrutura e do sistema de iluminação pode contribuir para reduzir riscos e oferecer melhores condições de deslocamento para a comunidade acadêmica.
Os auditores também observaram que a universidade não possui um acompanhamento sistemático da qualidade e da disponibilidade do transporte público utilizado pelos estudantes. Como recomendação, sugeriram a designação de uma equipe ou setor responsável por monitorar o serviço e dialogar com os órgãos competentes sempre que forem identificados problemas que possam comprometer a permanência dos alunos.
Auxílio existe, mas estudantes reclamam do alcance
Atualmente, a Ufac oferece auxílio-transporte para estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica por meio de programas de assistência estudantil. No entanto, os entrevistados afirmaram que os valores pagos nem sempre são suficientes para cobrir os custos de deslocamento, especialmente para aqueles que dependem de transporte intermunicipal.
Também houve reclamações sobre a quantidade de alunos contemplados pelos benefícios. A universidade reconheceu as limitações, mas argumentou que a ampliação dos auxílios depende da disponibilidade orçamentária destinada pelo governo federal à assistência estudantil.
Por Ac24Horas