
Um policial militar reformado foi identificado pela Polícia Civil do Acre como um dos envolvidos no caso do motorista de aplicativo de 28 anos que denunciou ter sido sequestrado, agredido e torturado por homens que se apresentaram como policiais, em Rio Branco. A informação foi divulgada na manhã desta quarta-feira (4), durante uma coletiva de imprensa realizada na sede da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), no Centro da capital.
De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil, Pedro Paulo Buzolin, uma equipe de delegados foi designada para investigar o caso. Durante as diligências, os investigadores identificaram a participação de um policial militar reformado e de outro possível autor. Na terça-feira (3), a Polícia Civil cumpriu uma ordem judicial contra um dos investigados.
As investigações continuam para identificar os demais envolvidos. Segundo o delegado, os policiais já conseguiram localizar veículos utilizados na ação e realizaram diversas diligências para esclarecer a dinâmica do crime e a participação de cada suspeito.
O delegado-geral ressaltou que a investigação será conduzida independentemente de possíveis vínculos dos suspeitos com instituições de segurança pública. Ele também esclareceu que uma das caminhonetes utilizadas na ocorrência já pertenceu temporariamente à frota da Polícia Civil, mas foi devolvida ao proprietário em 5 de janeiro de 2024, há mais de dois anos, não integrando mais o patrimônio da instituição.
A comandante-geral da Polícia Militar do Acre, coronel Marta Renata, informou que a corporação também instaurou um procedimento administrativo para apurar a conduta do militar identificado. Segundo ela, as investigações internas buscam verificar possíveis violações disciplinares, éticas e de decoro.
Durante a coletiva, a comandante afirmou que a Polícia Militar não tolera desvios de conduta e destacou que seis policiais foram excluídos da corporação nos anos de 2025 e 2026 por comportamentos considerados incompatíveis com a função policial. Ela também ressaltou que o militar investigado terá direito ao contraditório e à ampla defesa.
O secretário de Justiça e Segurança Pública, coronel José Américo de Souza Gaia, afirmou que as instituições de segurança atuarão de maneira integrada no combate a crimes, independentemente de os envolvidos serem servidores públicos ou integrantes das próprias forças policiais.

O caso
O motorista de aplicativo denunciou ter sido abordado por três homens na segunda-feira, 26 de outubro, na Rua Cunha Matos, em frente à Gameleira, no Centro de Rio Branco. Os suspeitos teriam se apresentado como policiais e acusado o trabalhador de envolvimento em um furto no Residencial Bonsucesso.
Segundo o relato da vítima, ele foi agredido, ameaçado e obrigado a fornecer informações sobre objetos supostamente relacionados ao crime. Durante o trajeto, enquanto era levado pelos suspeitos, o motorista conseguiu escapar ao pular do veículo na Avenida Getúlio Vargas, onde procurou ajuda.
Imagens do sistema de monitoramento instalado no carro registraram a abordagem, o deslocamento pela cidade e o momento em que o veículo foi abandonado nas proximidades do Horto Florestal.
O motorista nega qualquer participação no crime atribuído a ele e afirma que deseja provar sua inocência. O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que trabalha para identificar todos os envolvidos.
Por Ac24Horas
